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O ovo na alimentação infantil 
Veículo: Site: APAVI - Associação Paranaense de Avicultura - Seção: Notícias - 01/12/2008


Imagine uma ferrovia e um trem correndo por ela, sobre os trilhos... Quando acabam os trilhos, porém, o trem não tem mais para onde ir. Assim é a colina, um importante nutriente encontrado, sobretudo, na gema do ovo: a colina é fundamental para a formação de todos os neurônios, membranas de células e de nervos, importantíssima para a memória e para o desenvolvimento intelectual de todos os seres humanos, em todas as idades. Mas é na infância, especialmente na idade pré-escolar e escolar, quando todas as estruturas cognitivas estão se consolidando (a fala, a acuidade visual, por exemplo) que ela vai ser decisiva. Lembre-se: sem ferrovia não tem como o trem andar. Mas não é só em colina que o ovo é rico não. 

Ele é um dos alimentos mais completos que existem sendo, inclusive, reconhecido pela FAO/OMS como a proteína padrão. E aqui estamos falando do ovo inteiro, clara e gema. Aliás, o que muita gente não sabe é que a gema contém mais proteína que a própria clara, segundo as tabelas de composição química de alimentos. Sua cor amarela revela a presença de dois carotenóides, a zeaxantina e a luteína, cujo consumo regular previne a degeneração macular, principal causa da cegueira no Brasil e no mundo. A gema ainda é rica em ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados (como o ômega 3, por exemplo), gorduras essenciais ao nosso organismo e comprovadamente benéficas para a nossa saúde. 

Querem mais? Um ovo de galinha, de mais ou menos 50g, contém quantidades consideráveis de vitaminas A, D, E e do complexo B, fósforo, ferro, cálcio, folato, zinco e selênio. Ah! E tem também colesterol: cada gema contem, em média, 213mg de colesterol, nutriente essencial para a produção de hormônios (e no período pubertário nossos baixinhos estão a mil na produção de hormônios, não se esqueçam)! Aliás, foi por este motivo que ele foi banido erroneamente da alimentação nas últimas décadas, pois associações médicas e de nutrição indicavam que a ingestão diária de colesterol não deveria ultrapassar 300mg/dia, e como uma gema tem 213mg, ficava o medo de que o consumo diário pudesse aumentar riscos de doenças cardiovasculares. Este medo é infundado pois, em primeiro lugar, o consumo de uma gema eleva de 1,4 a 6,8mg o colesterol sangüíneo o que, convenhamos, é um valor insignificante. Em segundo lugar, estudos recentes apontam que as recomendações dietéticas para a prevenção de doenças cardiovasculares se concentram num conjunto de ações (como consumir menos gorduras trans e saturadas e menos alimentos com alto índice glicêmico e ricos em sódio, por exemplo), e não simplesmente na redução do colesterol dietético. Dados de dois dos maiores estudos prospectivos de corte (o Health Professionals Follow-up Study e o Nurse’s Health Study), ambos publicados no JAMA, um dos jornais científicos mais respeitados no mundo afirmam que “não há associação significativa entre o consumo de mais de um ovo por dia (ou seja, 365 ovos/ano) e acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana ou infarto agudo do miocárdio. Além destes atributos, o ovo é barato, acessível e muito versátil na culinária. 

Ovos podem ser consumidos diariamente, sim, se preparados de forma adequada: no mínimo 4 unidades por semana, fervidos quentes ou duros, pochês, mexidos ou em omeletes e mais 1 ou 2 contidos em outras preparações (suflês, bolos, panquecas), porém nunca fritos. Ovo não faz mal à saúde, pelo contrário, ele é muito importante na alimentação e, podem crer, o perigo é não comer ovo. Viviane Vogt. Especialista em Nutrição Esportiva, Pós-graduanda em Nutrição Clínica Funcional. 

 

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